20 de set de 2016

Descubra a Proprioceção: Um Sentido "Escondido”©

A maioria das crianças aprende que temos cinco sentidos: visão, tato, paladar, olfato e audição. Contudo há outros sentidos muito importantes que não estão presentes nesta lista. A consciência da posição do nosso corpo ou “proprioceção” é um deles. Não é comum ensinarmos às crianças a existência e a utilidade deste sentido e portanto a maioria das pessoas não sabe da sua existência. Este desconhecimento cria um desafio adicional sempre que este sentido não funciona de forma correcta pois, se não estamos conscientes do mesmo, será difícil compreender problemas relacionados a ele. 

Assim como os nossos olhos e ouvidos enviam informações sobre o que vemos e ouvimos para o cérebro, partes dos nossos músculos e articulações detectam a posição do nosso corpo e enviam, também elas, essas mensagens para o cérebro. Dependemos desta informação para saber exatamente onde estão as diferentes partes do nosso corpo e para planejarmos os nossos movimentos. 

Quando o nosso sentido da proprioceção funciona bem realizamos diversos ajustes, contínuos e automáticos, nas nossas posições. Este sentido permite-nos manter e movimentar em diversas posições funcionais para que possamos realizar as nossas actividades do dia a dia, como sentar numa cadeira para trabalhar, segurar objetos de forma correta, tais como uma caneta ou um garfo, manobrar o corpo através de uma passagem estreita para não ir contra os objetos ou derrubá-los, saber a distância que devemos manter quando conversamos com uma pessoa para não ficarmos perto ou longe demais, planejar a pressão necessária a ser exercida para não quebrar a ponta do lápis ou um brinquedo e saber alterar as nossas ações quando estas não foram bem sucedidas, por exemplo, quando lançamos uma bola e esta não acertou no alvo ou fazemos um mergulho que resultou numa “barrigada”.

Uma vez que a proprioceção nos ajuda em todas estas funções básicas, um problema neste sentido pode causar grandes dificuldades. Muitas vezes um indivíduo tem de prestar atenção a certas coisas que deveriam acontecer automaticamente. Pode também ter de utilizar a visão para compensar e perceber que ajustes podem ser feitos. Isto pode exigir muita energia. Uma criança com estas dificuldades pode sentir-se desajeitada, frustrada e mesmo com medo de algumas situações. Por exemplo, pode ser muito assustador descer as escadas quando não sabemos onde estão os nossos pés. O sistema proprioceptivo é ativado através de atividades do tipo puxa/empurra, atividades como saltar e atividades que envolvem peso e pressão profunda. Esse tipo de sensação geralmente é calmante e pode ser útil para uma criança que se desorganiza facilmente.

Ajude a criança a ser mais consciente da posição do seu corpo

Seguem-se alguns exemplos de atividades propriocetivas. Estas atividades podem ser úteis para ajudar a criança a ter mais consciência da posição do seu corpo e a ficar mais calma e organizada

1. Peça ajuda para os “trabalhos pesados”, por exemplo, carregar os sacos das compras, transportar o cesto da lavanderia, puxar sacos das folhas, levar o lixo e arrancar ervas daninhas, ou arrastar os sofás enquanto aspira.
2. Brinque de “faz de conta”, simulando uma viagem e peça à sua criança que faça a própria mala, colocando sacos de arroz e de feijão na mochila. Realizem brincadeiras onde fingem escalar montanhas e saltar pedras no parque ou no jardim.
3. Faça um sanduíche com a criança, colocando-a entre as almofadas do sofá. Simule que adiciona "pickles", "queijo", "alface", etc., enquanto exerce alguma pressão sobre a criança.
4. Peça à criança que feche os olhos e “sinta” onde estão os seus pés, mãos, braços, etc. Pergunte-lhe em que posição estes se encontram, se estão para cima ou para baixo. Veja se ela se consegue se posicionar em diversas posições sem olhar, como rolar, tocar no nariz, fazer um círculo com os braços, fazer um X com os braços e as pernas, etc.
5. Algumas crianças vão adorar pendurar-se pelos braços e sentir o seu corpo alongar enquanto se balançam. Uma barra numa porta pode ser uma maneira simples de permitir esta atividade em casa.
6. Dê à criança um estímulo propriocetivo extra quando ela está aprendendo algo novo. Por exemplo, colocar um peso leve no punho quando a criança tenta atirar uma bola, pode dar” feedback” sobre a posição do seu braço. Outros exemplos incluem praticar letras, formas ou números em argila ou outra mistura firme; colocar as mãos nos quadris ou ombros da criança e exercer uma pressão suave, quando a criança está aprendendo uma nova habilidade motora, como subir escadas ou patinar; e na realização de uma atividade motora crie, de forma suave, alguma resistência aos movimentos, para que a criança possa “senti-los” mais facilmente.
7. Se a criança gostar, realize uma massagem suave, mas firme. Experimente, esfregar-lhe os braços e as pernas para acordá-la. Uma ligeira pressão nos ombros e cabeça ajuda a acalmá-la e as massagens nas mãos ajudam-na antes da realização de uma atividade de motricidade fina.
Estas são apenas algumas ideias. Use o bom senso, não exerça demasiada pressão e não peça à criança para empurrar, carregar ou puxar algo demasiadamente pesado. Explore, experimente e descubra o que parece ajudar mais o seu filho.

Descubra a proprioceção: Um sentido “escondido” © faz parte de uma série de "Páginas para Pais" sob o tema da integração sensorial, escrito por Zoe Mailloux, OTD, OTR/L, FAOTA. Pode ser reproduzido para fins educacionais, com o título completo e informações de copyright incluídas. Traduzido para português de Portugal por Marco Leão e Raquel Cerqueira, www.7senses.pt ; e português do Brasil por Heloisa Zanella Goodrich, Terapeuta Ocupacional

MEDIDA DE FIDELIDADE PARA PESQUISAS DE INTERVENÇÃO EM INTEGRAÇÃO SENSORIAL DE AYRES (ASI®)

Com o aumento da investigação científica dentro e fora do campo da Terapia Ocupacional, houve um aumento significativo na quantidade de informações conflitantes e confusas. Estas confusões relacionam-se principalmente com a classificação diagnóstica e com a definição da abordagem de intervenção de ASI®, fazendo com que o profissional capacitado para utilizar essa abordagem e os resultados esperados também fossem amplamente discutidos (SCHAFF; DAVIES, 2010).
Após várias décadas de investigações científicas e uso da intervenção de integração Sensorial (IS), há um aumento na variabilidade das formas de implementação da terapia, fazendo com que sejam utilizados princípios diferentes dos propostos originalmente por Ayres. Dessa forma, as investigações científicas relacionadas à eficácia da intervenção utilizando o quadro de referência (QR) de IS apresentam controvérsias, devido a problemas de fidelidade que reduzem a qualidade da assistência e dos estudos (PARHAM et al, 2007). Diante disso, um grupo de pesquisadores percebeu a necessidade de desenvolver uma medida de fidelidade validada e confiável para pesquisas sobre a intervenção em ASI®, a fim de proporcionar que as intervenções e investigações sejam pautadas nos princípios da teoria clássica de Ayres, melhorando a qualidade e o valor das futuras investigações sobre a eficácia da intervenção de ASI® (PARHAM et al,. 2011).
De acordo com Parham et al. (2011), a medida de fidelidade desenvolvida, tem como objetivo identificar se a intervenção utilizada é efetuada em conformidade com os princípios processuais e estruturais da abordagem clássica; acompanhar a prestação de serviços replicáveis da intervenção da ASI® na pesquisa; e diferenciar a intervenção de ASI® de outros tipos de intervenção (estimulação sensorial, por exemplo).
Para tanto, a intervenção clássica de ASI® compreende processos estruturais e processos terapêuticos, sendo estes presentes na medida de fidelidade (ROLEY; JACOBS, 2010). Fidelidade é um aspecto crítico para a eficácia da pesquisa, pois assegura que a intervenção do estudo possa ser replicada por outros pesquisadores, assim como permite diferenciar a intervenção de ASI® de outros tipos de intervenção (PARHAM et al, 2007). Além disso, DePoy e Gitlin (2005 citados por Parham et al., 2011, p.133, tradução nossa) relatam que o “instrumento de fidelidade não apenas permite que o pesquisador verifique se as estratégias terapêuticas utilizadas no estudo representam definitivamente a intervenção, mas também torna o estudo replicável”.
Partindo desse princípio, percebe-se a necessidade do seguimento correto dos processos estruturais e terapêuticos da ASI®, de modo que outros profissionais e pesquisadores possam ser treinados de maneira consistente e reprodutível para pesquisa e prática em IS (LUBORSKY; DURUBEIS, 1984; citados por PARHAM et al.,2007).
A utilização da Medida de Fidelidade para pesquisas de intervenção em ASI® permite uma melhor compreensão de quais são os aspectos fundamentais para uma intervenção se caracterizar como intervenção de ASI® (PARHAM; MAILLOUX, 2010). Além disso, essa medida proporcionará investigações científicas pautadas nos princípios de ASI®, fazendo com que as evidências tornem-se mais claras e difundidas, bem como contribuirá para melhoria da intervenção e comunicação sobre a intervenção de ASI®. Espera-se que a utilização dessa medida de fidelidade possibilite aumento da eficácia das pesquisas de intervenção de ASI®, pois assim, os pesquisadores e profissionais poderão realizar as intervenções baseadas em evidências claras, confiáveis, fiéis e válidas.
O Workshop proporcionará benefícios para as pessoas interessadas na pesquisa e na prática da IS, pois se todos os profissionais se baseassem na Medida de Fidelidade, teríamos menos problemas metodológicos nas pesquisas, menor disparidades em relação à utilização das intervenções e teríamos maior monitoramento, o que garantiria fidelidade e confiabilidade.

REFERENCIAS:
PARHAM, L. D.; COHN, E. S.; SPITZER, S.; KOOMAR, J.; MILLER, L. J.; BURKE, J. P. Fidelity in sensory integration intervention research. American Journal of Occupational Therapy, v.61, p.216-227, 2007.
PARHAM, L. D.; MAILLOUX, Z. Sensory Integration. In: CASE-SMITH, J.; O’BRIEN, J. C. Occupational Therapy for Children. Missouri: Mosby Elsevier, p. 325-372, 2010
PARHAM, L. D.; ROLEY, S. S.; MAY-BENSON, T. A.; KOOMAR, J.; BRETT-GREEN, B.; BURKE, J. P.; COHN, E. S.; MAILLOUX, Z.; MILLER, L. J.; SCHAFF, R. C. Development of a Fidelity Measure for Research on the Effectiveness of the Ayres Sensory Integration ® Intervention. American Journal of Occupational Therapy, v. 65, p.133-142, 2011.
ROLEY, S. S.; JACOBS, S. E. Integração Sensorial. In: CREPEAU, E. B.; COHN, E. S.; SCHEEL, B. A. B. Willard & Spackam Terapia Ocupacional. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2011.  p. 805-829.
SCHAAF, R. C.; DAVIES, P. L. Evolution of the sensory integration frame of reference. American Journal of Occupational Therapy, v.64, n.3, p.363 – 367, 2010.


MATERIAL ELABORADO PELA TERAPEUTA OCUPACIONAL DANIELLI REGINA BERNERT

21 de jan de 2015

Como Conversar com uma Criança Autista


Crianças com autismo são únicas e interpretam o mundo de forma diferente, em comparação a outras crianças. Em termos de habilidades sociais e comunicativas, elas mostram diferenças altamente visíveis. Crianças com autismo parecem se valer de uma linguagem própria, implementando um sistema que funciona para elas. Se seu filho foi diagnosticado com autismo, é importante que você aprenda sua linguagem, a fim de se comunicar adequadamente com ele.

Comunicando-se de maneira eficaz com uma criança autista

1. Converse sobre os interesses dela. É muito mais fácil conversar com uma criança autista, uma vez que você descubra algum interesse dela. Ela pode acabar se abrindo com você, se estiver confortável em falar sobre o assunto em pauta. Saber “falar a língua” da criança é essencial para conseguir uma boa comunicação.
  • Caso seu filho goste de carros, você pode usar este assunto para fazê-lo se abrir e conversar.

2. Encurte suas sentenças. Uma criança autista conseguirá processar melhor as informações em uma conversa, caso você use frases curtas. Perceba que a própria criança se comunica através de frases curtas, e você deve imitar isso. Além disso, tente se comunicar por escrito.
  • Você pode escrever, "vamos comer agora". A criança poderá responder por escrito ou verbalmente, que é maneira mais eficaz, por causa do contato visual.
  • A comunicação através da escrita pode ser uma ótima ferramenta.

3. Desenhe. Estímulos visuais podem ser altamente benéficos para crianças com autismo. Tente desenhar diagramas, instruções ou imagens simples, a fim de ajudar a comunicar suas ideias. Estímulos visuais podem ajudar a criança a compreender de maneira mais clara o que você está tentando expressar verbalmente; muitas crianças autistas respondem de maneira mais efetiva a comunicação visual.
  • Tente usar recursos visuais para criar um cronograma para seu filho
  • Desenhe as atividades diárias da criança; o café da manhã, a ida para a escola, a volta para casa, a criança jogando, dormindo, etc.
  • Isso permite que seu filho verifique suas atividades diárias, adicionando alguma estrutura ao dia dele,
  • Você pode usar bonecos de palitinho para explicar as atividades, mas certifique-se de adicionar um traço marcante a cada personagem
  • Por exemplo, se você for ruiva, pinte o cabelo de sua personagem de vermelho, para a criança conseguir associá-la a você.

4. Permita que a criança tenha mais tempo para processar informações. Você pode precisar usar pausas com mais frequência, ao conversar com ela. Seja paciente, e certifique-se de não apressá-la, permitindo que ela leve o tempo necessário para processar e responder.
  • Caso seu filho não responda a uma pergunta, não faça outra logo depois. Isso pode deixá-lo ainda mais confuso.
5. Sela linguisticamente consistente. Crianças com autismo podem não conseguir processar certas variações de palavras; certifique-se de falar de maneira consistente, a fim de não confundir a criança.
  • Consistência é crucial para estas crianças.
  • Por exemplo, durante um jantar, você teria uma dúzia de maneiras diferentes de pedi-lo para passar as ervilhas. Ao se comunicar com crianças autistas, é melhor se ater a frases coerentes e uniformes.
6. Seja sensível, e não leve o silêncio da criança para o lado pessoal. Seu filho pode passar longos períodos sem conversar com você; faça o seu melhor para compreender isso. Aborde a criança de maneira sensível e continue tentando, ainda que isso resulte em várias interações difíceis. Ser persistente e sensível é a única maneira de incentivá-lo a confiar em você.
  • Você nunca poderá saber exatamente o motivo do silêncio do seu filho. O timing das conversas pode não estar muito adequado, o ambiente pode não estar favorecendo, ou a criança pode estar imaginando algo totalmente fora de contexto.
  • Se outras pessoas tentarem conversar com seu filho, podem pensar que ele é anti-social ou que não gosta delas. Raramente isso é verdade. De qualquer forma, certifique-se de as outras pessoas estejam cientes da situação do seu filho.

7.Inicie as conversas com uma declaração. Quando você pergunta “como vai você?” a alguém, geralmente espera uma resposta simples e rápida. No caso de crianças autistas, isso pode ser bem diferente, visto que elas podem se sentir intimidadas ou oprimidas por perguntas. É sempre melhor começar com uma declaração, para que ele se sinta incentivado a interagir.
  • Elogiar o brinquedo de uma criança pode ser uma ótima maneira de iniciar uma conversa.
  • Basta fazer um comentário e esperar para ver se ela responde
  • Mais uma vez, fale sobre temas interessantes para a criança.

8. Não o exclua. Haverá momentos em que a criança desejará se envolver, e terá dificuldades. Esteja consciente da presença dela, e a inclua da melhor maneira possível. Mesmo que não haja resposta, é importante se esforçar. Isso pode significar muito para a criança.

9. Converse com seu filho nos momentos certos. Escolha um momento no qual a criança esteja mais tranquila, e interaja com ela. Se a criança estiver mais calma, será mais receptiva ao que você tem a dizer. Além disso, escolha locais onde não estejam acontecendo muitas coisas ao mesmo tempo; estímulos excessivos podem deixar seu filho desconfortável.

10. Fale de maneira literal. Crianças autistas podem se atrapalhar com linguagem figurada. Para elas, é difícil compreender expressões idiomáticas, sarcasmo e certos tipos de humor. Certifique-se de ser literal e específica, a fim de tornar a compreensão mais fácil.

Fonte:http://pt.m.wikihow.com/Conversar-com-uma-Crian%C3%A7a-Autista

22 de out de 2014

Prontidão para a Alfabetização



“Quando se fala em prontidão para a alfabetização logo se pensa em leitura e escrita.”


Prontidão escolar é muito mais que isso. É perceber sensorialmente formas, é orientar-se no espaço, perceber direções, lateralidade e ter equilíbrio. É orientar-se no ritmo, é saber ouvir, estar atento, ter concentração e sobretudo é conhecer o sentido do que está percebendo; conhecer as palavras, suas relações e seu simbolismo. É poder controlar o corpo, inibir movimentos amplos para usar motricidade fina.
Mas tudo tem seu começo e é desde o ventre materno que a criança adquire a linguagem falada ao ouvir sua mãe. Depois que nasce, as cantigas de ninar, a conversação entre os pais, e com o bebê colaboram para enriquecer seu vocabulário, assim como mais tarde os contos de fadas, tão apreciados pelas crianças ajudam a criança a aprender ouvir, e escutar com atenção.
As brincadeiras de corpo como rolar no chão, se arrastar, engatinhar, cambalhotar, pular, andar, correr, subir e descer escadas, pular corda colaboram para a aquisição da coordenação motora, para o equilíbrio e a percepção corporal de si e sua relação com o espaço circundante. Desta forma a criança vivenciando ativamente  as três dimensões no espaço se  prepara para a aquisição da escrita e da leitura.
As habilidades motoras finas que o exercício da escrita exige vem muito depois da criança ter usado seu corpo todo nas brincadeiras livres e de parquinho (balanço, escorregador, trepa-trepa, gira-gira, gangorra, terra, areia e água).
Vivemos num mundo onde letras são vistas em todo canto como nos anúncios, nas propagandas, embalagens, roupas, tapetes, cortinas, nos brinquedos e até nos utensílios de cozinha. No entanto a criança só irá escrever, ler e entender quando  neurologicamente estiver amadurecida para isso. O caminho é muito longo e requer um amadurecimento também na parte emocional da criança. A entrada na escola exige: aprender a compartilhar a atenção da professora com mais crianças,  entender, compreender e aceitar as regras, lidar com frustrações e obrigações, esperar a vez, ter autonomia nas atividades de higiene, vestuário e alimentação, entre tantos outros quesitos que o amadurecimento  propicia.”

Pilar Tetilla Manzano Borba

Terapeuta Ocupacional, Pedagoga Waldorf, Pós-graduada em Antroposofia na Saúde pela UNISO, Professora no curso de fundamentação em pedagogia Waldorf, Orienta berçários, creches, maternais e jardins de infância
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Preensão do lápis




Antes de chegar a uma preensão adequada para o lápis, a criança deve passar por uma série de experiências sensoriais e motoras que vão possibilitar o desenvolvimento de movimentos funcionais com os membros superiores. 

Essas experiências começam na gestação, quando o feto leva a mão à boca e tem seu prosseguimento em outras atividades após o nascimento. Nesse processo é importante o estímulo sensorial dos objetos, o toque, a brincadeira com as duas mãos, a imitação e a colocação da criança em situações que favoreçam o uso de determinada preensão. As brincadeiras de montar/desmontar, encaixar,empilhar, empurrar,puxar,carregar, rasgar, enrolar, atividades de vida diária (alimentação- usar os talheres,segurar a mamadeira ou copo;vestuário- tirar a meia,sapato,blusa e calça e depois vestir,manusear fechos como botões,ziper,etc;higiene- lavar as partes do corpo,escovar os dentes) são alguns exemplos de atividades que auxiliam no desenvolvimento funcional da preensão.

O uso de adaptações nas atividades gráficas tem como função favorecer o desempenho da criança. Alguns exemplos: uso de lápis, giz de cera e caneta hidrocor grossa nos trabalhos iniciais e no caso da criança ter maior dificuldade motora (a caneta tem efeito rápido para a criança se motivar para rabiscar e descobrir a função do traço); uso de lápis tipo de marceneiro ou triangular ou comum com adaptador de borracha (ou qualquer material que engrosse o lápis)que estimule o tripé; uso de lápis 6B no caso de traços muito leves.

Lápis e suas indicações

 

Entre todos os instrumentos de escrita, o Lápis é sem dúvida o mais universal, versátil e econômico, produzido aos milhões todos os anos, mesmo na era da Internet. É com o Lápis que as crianças de todo o mundo aprendem a escrever. É indispensável para todos os tipos de anotações, traçados e rascunhos - sobretudo para tudo o que possa ser escrito ou desenhado à mão. O Lápis é um produto de longa durabilidade, que exige poucos cuidados. 

Os mais utilizados são:
a. Hexagonal: formato padrão para o uso em escolas e escritórios. Não rola na mesa.
b. Redondo: em escritórios, especialmente para taquigrafia. Fácil de girar na mão.
c. Triangular: muito ergonômico para crianças que estão na fase pré-escolar. Permite a perfeita acomodação dos dedos, preensão correta (indicador, polegar e dedo médio) e provoca menos cansaço ao segurar.

Lápis jumbo trangular: 
Tem as mesmas vantagens do lápis trangular (permite preensão adequada e menos cansaço) e ainda oferece mina muito mais grossa e resistente e diâmetro maior que os lápis comuns. É indicado para crianças na fase pré-escolar (3-4 anos) e para crianças com dificuldades na coordenação motora fina.

fonte: http://giselebarbosato.blogspot.com.br/2011/04/lapis-e-suas-indicacoes.html

10 de out de 2014

Integração Sensorial e Sindrome de Down



A Síndrome de Down é um distúrbio genético causado pela presença do cromossomo 21 extra (total ou parcial) e foi descrita em 1862 por John Langdon Down. Crianças com este diagnóstico apresentam aparência física característica da Síndrome, alterações clínicas como cardiopatias, problemas respiratórios, visuais, auditivos, atrasos no desenvolvimento neuromotor, sensorial e das habilidades cognitivas.

O uso da abordagem de Integração Sensorial pode beneficiar os processos de desenvolvimento de crianças com Down e contribuir de forma positiva com o tratamento médico e multidisciplinar, pois elas enfrentam, em sua maioria, problemas no processamento de estímulos sensoriais: vestibular, proprioceptivo, tátil, visual e auditivo.

A alteração do processamento nestes sistemas pode interferir de forma significativa na atenção, aprendizagem escolar e no desenvolvimento de habilidades motoras. A presença de hipotonia, hipermobilidade articular e comportamentos como a distração excessiva aos estímulos do ambiente e impulsividade são característicos dessas crianças. Indicam dificuldade no registro e modulação sensorial do processamento de informações vestibular, proprioceptiva, tátil e diante disso, justifica a necessidade da intervenção em Integração Sensorial.

 Observa-se em crianças com este diagnóstico, comportamentos que assinalam o mau processamento vestibular e proprioceptivo, como por exemplo,  hipotonia, dificuldade na extensão do corpo e da cabeça contra a gravidade, controle postural, atrasos nas respostas posturais automáticas, tendência a buscar certos movimentos. Há dificuldade em sentir a posição do corpo no espaço e movimentar-se; atraso no desenvolvimento do feedback proprioceptivo e em geral, estas crianças apresentam movimentos mais bruscos, segmentados e com comportamento desajeitado. Muitas vezes apresentam dificuldade em perceber saciedade ou dor.

Para o sistema tátil, há evidência de problemas como a hiporrensponsividade, alteração na discriminação dos inputs táteis e da integração deles com os demais sistemas sensoriais. Dificuldade no desenvolvimento da percepção tátil o que implica numa baixa exploração dos objetos nos primeiras anos de vida, déficit na estereognosia e reconhecimento de formas. A importante lacuna nas experiências perceptuais contribuem nas dificuldades de aprendizagem e no atraso da aquisição de habilidades motoras, como por exemplo, padrões pobres de preensão e das habilidades funcionais das mãos.

Crianças com Síndrome de Down apresentam evidências no atraso do desenvolvimento da coordenação motora grossa e fina e a teoria da Integração Sensorial pode ajudar a explicar certos comportamentos e atrasos. As dificuldades que estas crianças enfrentam ao mover o corpo no espaço e processar informações sensoriais contribuem de forma negativa no desenvolvimento da ideação, planejamento e execução motora, implicando assim, numa baixa capacidade em organizar respostas motoras eficientes.

A terapia de Integração Sensorial pode beneficiar crianças com Síndrome de Down através de uma abordagem que prioriza o uso dos sistemas sensoriais de forma integrada com experiências vestibulares, proprioceptivas e tátil ao propor atividades funcionais que trabalham registro e discriminação tátil, movimentos que coordenam o corpo contra a gravidade, favorece integração bilateral, movimentos recíprocos, ideação e planejamento motor.

Além de trabalhar com habilidades motoras, as atividades na integração sensorial visam a auto regulação e modulação do nível de alerta ótimo. Esta abordagem utiliza um ambiente desafiador e seguro, com intuito de promover grande variedade de atividades que aumentam o repertório de interação e o processamento das informações sensoriais entre o corpo e o ambiente.

Fonte :http://www.integracaosensorialbrasil.blogspot.com.br/search/label/S%C3%ADndome%20de%20Down