24 de abr de 2013

Integração Sensorial: uma vertente da Terapia Ocupacional


O nosso cérebro recebe a todo o momento incontáveis bits de informação sensorial, que rapidamente localiza, processa e responde de acordo com o tipo e ordem de sensação, algo parecido a um polícia a dirigir o tráfico. Quando as sensações fluem de forma organizada e integrada, o cérebro pode usar essas sensações para formar percepções, comportamentos e aprender. Quando esta fluência é desorganizada, a vida pode ser como o tráfico em hora de ponta (J.Ayres) A integração sensorial é a organização do uso dessas sensações, ou seja, é a capacidade de sentir, compreender e organizar a informação sensorial a partir de um corpo e no seu ambiente. 

Algumas crianças apresentam dificuldades na identificação, no processamento e na resposta de todas estas sensações que os nossos sentidos enviam para o nosso corpo a partir do ambiente onde estamos inseridos. Nem sempre estas dificuldades são identificadas, contudo refletem no desenvolvimento da criança, na sua aprendizagem e sentimentos que tem sobre si próprio afetando o desempenho nas diversas áreas podendo ocasionar atraso escolar, dificuldade na relação com os outros, dificuldade de atenção e concentração, auto-estima prejudicada, alteração no tónus muscular, dificuldade de equilíbrio e na coordenação motora global e fina. 

Os componentes do processamento sensorial são: - Registo dos inputs sensoriais - Orientação dos inputs sensoriais - Interpretação dos inputs sensoriais - Organização da resposta aos inputs sensoriais - Execução das respostas 

Estes são alguns dos comportamentos que podemos observar em crianças que experienciam dificuldades de processamento sensorial: 

 Dificuldades no registo sensorial: pode aparecer que não têm reação ao movimento ao toque; podem parecer letárgicos; podem exibir uma resposta retardada ao estímulo sensorial. Ou podem parecer demasiado reativos ao movimento e ao toque, podendo exibir uma resposta elevada ao estímulo sensorial.

 Dificuldades na modulação sensorial: têm dificuldade em se adaptar a mudanças de rotinas; têm um nível alto de distração; têm um nível de atividade elevado; experienciam dificuldades nas transições ou podem parecer “desligados” e “isolados”. 

 Dificuldades na resposta sensorial ou na integração: podem ter problemas com o planeamento motor; podem ter uma qualidade pobre de respostas motoras (especialmente respostas de controlo motor e/ou de respostas protetivas); podem ter um pobre conhecimento corporal e problemas de coordenar os dois lados do corpo. 

Sinais e sintomas de uma disfunção sensorial: Alguns dos sintomas da disfunção da Integração Sensorial são interpretados e tratados erroneamente, e muitas vezes são confundidos com problemas emocionais. Em seguida apresentamos alguns sinais e sintomas perante os quais pode estar mais atento: 

 Hipersensível ao toque, movimento, ambiente circundante e sons; 
 Hiposensível ao toque, ambiente circundante e sons; 
 Nível de atividade bastante alto ou bastante baixo;  Dificuldades de coordenação motora; 
 Atrasos na fala ou nas competências linguísticas;
 Dificuldades nas competências motoras (global e/ou fina); 
 Dificuldades de aprendizagem (leitura e escrita); 
 Pobre auto-conceito e auto-estima; 
 Dificuldades de funcionamento executivo; 
 Comportamento de desafio e oscilações de humor de forma a chamar a atenção; 
 Dificuldade em manter a atenção em sala de aula ou brincadeiras mais complexas; 
 Dificuldade em graduar a força; 
 Evita ambiente com muitas pessoas e ambientes barulhentos; 
 Esbarra constantemente nos objetos ao redor, derruba coisas sem querer. 

A intervenção em integração sensorial pretende facilitar o desenvolvimento das capacidades do sistema nervoso para que ele consiga processar os estímulos sensoriais de forma normal. Através da terapia o cérebro coloca as mensagens sensoriais juntas e devolve a informação correta em resposta ao estímulo que foi dado. A terapia de integração sensorial usa atividades/brincadeiras neurosensorias e neuromotores para estimular a própria capacidade do cérebro em se reparar e pretende desenvolver, entre outras, a atenção, concentração, audição, compreensão, equilíbrio, coordenação e o controle da impulsividade nas crianças. 

Neste sentido faz uso dos cinco sentidos inerentes ao ser humano (audição, olfacto, tacto, visão e gosto) e junta mais dois o proprioceptivo e o vestibular. O primeiro agrega a nossa capacidade de reconhecer a localização espacial do próprio corpo, a sua posição, a força exercida pelos músculos, e a posição em relação às outras partes sem precisar utilizar a visão. Essa percepção permite-nos, por exemplo, desviar de um objecto mesmo sem saber a que distância precisa ele se encontra, ou mesmo tocar uma parte do corpo com os olhos fechados. Os seus receptores encontram-se, em maioria, nas articulações. Graças à propriocepção podemos andar, segurar, manipular e coordenar objetos. O segundo sentido – vestibular- tem os seus receptores localizados no ouvido e são sensíveis às alterações angulares da cabeça. É responsável pelo equilíbrio do corpo, além de atuar na identificação da posição do corpo, permitindo que se saiba quando está deitado, sentado, em pé ou em qualquer outra posição. Também é graças ao sistema vestibular que conseguimos coordenar movimentos dos dois lados do corpo em conjunto, como andar de bicicleta e cortar com uma tesoura. O brincar é a melhor forma de desenvolver a integração sensorial. Desde pequena a criança naturalmente procura as atividades que promovem uma boa integração da informação recebida através dos sentidos. Ao se movimentar, aprende sobre os limites do seu corpo dentro do espaço que a rodeia. Ao manipular objetos, aprende sobre seu peso, textura, força que precisa para segurá-los. Toda essa informação é recebida para o cérebro, organizada e armazenada, possibilitando que a criança aprenda cada vez mais sobre o mundo em que vive.

Fonte: http://terapiasinapse.blogspot.com.br/2012/08/integracao-sensorial-uma-vertente-da.html

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