15 de jun de 2009

Distúrbios Vestibulares e Proprioceptivos

As crianças com disfunções vestibulares e proprioceptivas geralmente sofrem de reações excessivas (hiper) ou insuficiente (hipo) ao movimento. Algumas crianças que são hipersensíveis ao movimento sofrem de vertigens terríveis; outrs, de enjôo e/ou desorientação quando se movem. Podem ter esta sensação quando os pés saem do chão ou quando a posição da cabeça muda em relação ao corpo. Outras ainda ficam muito assustadas ou enjoadas em brinquedos de parques, bem como em carros, elevadores ou até aviões. As crianças hipossenssíveis ao movimento o adoram e até suplicam por ele. O sistema nervoso central delas não consegue “engatar”, a menos que receba o que para a maioria das pessoas seria uma sobrecarga de estimulação. Podemos pensar nessas crianças como “pestinhas”. Elas preferem correr a andar, porque suas reações de equilíbrio tendem a ser menos desenvolvidas. Giram e giram o corpo dando a impressão que nunca ficam tontas. Sendo assim, é difícil distinguir uma criança normal e ativa de outra que demonstra sinais desse distúrbio em particular. Afinal, crianças saudáveis estão constantemente em movimento (por isso é bem possível que seu filho de quatro anos não fique sentado durante uma cerimônia religiosa inteira).

Geralmente, as crianças com hipotonia muscular também são hipersensíveis ao movimento. Embora algumas delas se mexam constantemente para permanecerem estimuladas (e então se inclinam quando estão sentadas), muitas crianças com esse distúrbio preferem atividades sedentárias, como, por exemplo, ficar sentadas, porque se sentem fracassadas em suas tentativas de realizar tarefas orientadas à ação. As atividades sedentárias exigem menor esforço e são menos pesadas emocionalmente. Imagine como deve ser frustrante precisar se mexer para se sentir estimulado e ativo e, além disso, sentir que os movimentos são cansativos.
As crianças com distúrbios vestibulares e proprioceptivos podem sofrer também de dificuldades de planejamento motor e de integração bilateral, bem como insegurança gravitacional e/ou postural. Da mesma forma que as crianças com problemas de hiper e hipossensibilidade, elas parecem esquisitas quando se movem. Os movimentos tendem a ser espasmódicos, exagerados e instáveis. Geralmente parecem procurar sinais visuais que as ajudem a caminhar pelos obstáculos invisíveis. A vida diária pode apresentar barreiras enormes para elas, e, por isso, podem ficar com medo e retraídas. É preciso tempo e paciência para compreendermos as questões que as indispõem, já que essas mesmas atividades são naturais para nós.

A importância do planejamento motor é fácil de ser compreendida quando observamos uma criança que não tem esse planejamento. Jenny é uma menina de três anos que, quando tenta subir em uma cadeira, cai no chão ou acaba com a metade do corpo na cadeira e metade fora dela. Ela não consegue assimilar como se sentar adequadamente mesmo que os pais o demonstrem repetidas vezes. Ela não consegue engatinhar por baixo da mesa sem bater a cabeça. Jogos e música com coreografia são difíceis para ela porque não consegue acompanhar a sequência dos movimentos. Como resultado dessas dificuldades, ela fica com medo das atividades e se retrai. Uma avaliação precisaria ser feita para determinar quais sistemas sensoriais são deficientes. É provável que ela receba um programa de atividades para aumentar a consciência proprioceptiva e tátil, a ativação vestibular e o controle postural.

Geralmente, as crianças com dificuldades de integração bilateral têm coordenação motora deficiente. Os prazeres da infância, como jogar bola, são difíceis de realizar. Atividades no playground – saltar, pular amarelinha, pular corda – podem estar fora do seu alcance. Andar de bicicleta pode ser uma tortura. Mesmo as tarefas motoras finas, de menor escala (por exemplo: juntar um quebra-cabeça de madeira), podem representar uma agonia se a criança tiver problemas em cruzar as mãos na frente do corpo ou convergir as vistas. A criança que sofre de distúrbio de integração bilateral apresenta um sintoma curioso: ela não desenvolve um lado dominante – especificamente, uma preferência entre as mãos (em geral, essa preferência é estabelecida aos 2 anos e a dominância aos 4 ou 5 anos). Os primeiros sinais de alerta podem incluir dificuldade em rolar (quando são bebês) e para pular com os dois pés juntos (quando crianças pequenas).

As crianças com insegurança gravitacional sentem-se irracionalmente ameaçadas e completamente desorientadas em qualquer posição, exceto quando estão em pé, com os dois pés plantados no chão. Ficam assustadas e tremem excessivamente se tombam para trás. Podem ficar ansiosas ao se inclinarem para trás em uma banheira ou entrar em pânico se ficarem de cabeça para baixo. Cambalhotas estão fora de questão. Mesmo descer escadas pode ser assustador (algumas crianças se recusam a descer enquanto outras precisam se segurar no corrimão). Brincar no balanço ou na gangorra pode ser impossível sem a presença de um adulto bem perto (ou até segurando a criança), porque o medo de cair é enorme.

Todos os pais querem que seus filhos experimentem tudo que vivenciamos e mais um pouco. Entretanto, essa experiência não deve afetar o emocional e o físico das crianças. Nenhuma criança precisa se sentir derrotada ou assustada como parte do processo de se sentir segura e feliz.

Sinais de Alerta de Distúrbios Vestibulares e Proprioceptivos

As “listas” de sinais de alerta de distúrbios vestibulares e proprioceptivos a seguir estão vagamente ordenadas na sequência em que os sinais podem aparecer na linha do desenvolvimento. Jamais de esqueça de que não há critérios rigorosos para esses distúrbios – não há um “DSM”. Além disso, pode haver uma sobreposição considerável e sintomas, já que os sentidos proprioceptivo e vestibular dividem funções similares. Sendo assim, esses sinais são apenas orientações, não um substituto para um verdadeiro diagnóstico. Peço aos pais que, quando suspeitarem que seus filhos tenham um distúrbio de integração sensorial, procurem a opinião de um profissional qualificado.

Sinais de Alerta de Distúrbios Vestibulares

• Evita tentar novas posições (principalmente as que envolvem a cabeça) – ex: rolar, dar cambalhota, virar de cabeça para baixo.
• Cansa-se facilmente (o que pode parecer que ela seja preguiçosa).
• Evita brincar com as duas mãos.
• Tem poucas respostas protetoras.
• É lenta ou preguiçosa em resposta às exigências de movimento.
• Evita ou teme movimentos (como balanços ou escorregadores).
• É muito desajeitada quando a base de apoio é variada (ex: um caminho irregular).
• Perde o equilíbrio com facilidade.
• Trava as articulações para estabilizar os movimentos.
• Cai com freqüência.
• Cai no chão ou esbarra nos móveis.
• Segura na parede ou nos móveis para ter maior equilíbrio.
• Não gosta de ficar de ponta-cabeça.
• Esbarra em objetos.
• Vira o corpo todo (e não só a cabeça) para olhar as pessoas.
• Fica desorientada depois de se inclinar para frente.
• Mantém a cabeça ereta, mesmo quando inclinada para trás.
• Busca estímulos sensoriais (gira e pula bastante, nunca fica tonta, ainda que, diversas vezes, vá no mesmo brinquedo do parque de diversões).

Sinais de Alerta de Distúrbios Proprioceptivos

• Não engatinha em quatro apoios.
• Tem uma pegada fraca.
• Tem dificuldade em manipular objetos pequenos.
• Tem a musculatura tensa.
• Pode andar na ponta dos pés.
• Trava as articulações para estabilizar movimentos.
• Tem movimentos rígidos, espasmódicos ou descontrolados (vai além do posicionamento e do alcance).
• É desajeitada.
• Cai muito.
• Não tem consciência da posição do corpo no espaço.
• Tem pouca resistência.
• Como com maus modos.
• Não consegue levantar objetos pesados.
• É resistente a novas atividades ou jogos de movimento.

(FONTE: Coordenação Motora/Liddle&Yorke)

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