28 de jul de 2009

Meus filhos ...

"Meus filhos terão computadores, sim, mas antes terão livros. Sem livros, sem leitura, os nossos filhos serão incapazes de escrever - inclusive a sua própria história."
Bill Gates

23 de jul de 2009

A sessão de integração sensorial

A sessão terapêutica em si oferece uma ampla variedade de oportunidades para o surgimento de brincadeiras com objetivos voltados à integração. De acordo com a descrição de Bundy (1991), há um efeito interativo no qual a incorporação do brincar pode enfatizar o processo da integração sensorial, e o aperfeiçoamento desta permite o desempenho de capacidades lúdicas mais elaboradas.



No nível básico, a incorporação de temas pode tornar as atividades desafiadoras mais interessantes e pode encorajar um envolvimento de duração mais longa, em atividades para as crianças portadoras de uma disfunção de integração sensorial. Por exemplo, a criança que tem medo dos movimentos pode tolerar uma plataforma balançando, se for apresentado um tema de seu interesse, como uma nave espacial a caminho da lua. Ela consegue ficar no balanço mais tempo, se o envolvimento no tema lúdico instigar a motivação para, por exemplo, chegar até um planeta ou pegar uma estrela cadente. Em um nível mais complexo, a relação dinâmica entre a função da integração sensorial e o brincar pode servir para o desenvolvimento de capacidades na ideação, imaginação e socialização dentro do contexto da sessão terapêutica. Ayres (1985) descreve a ideação como um processo cognitivo que envolve o entendimento das possibilidades de ações do indivíduo em relação aos objetos ou outras pessoas. Ela afirma que a ideação é “básica na maioria das atividades infantis (o brincar) e em muitas ocupações dos adultos”. Como uma chave que pode destravar um mundo de possibilidades, a ideação permite que a criança comece a planejar o que quer fazer. Ela é quase palpável quando uma criança normal de cinco anos é observada em uma sala típica de terapia, na qual a abrangência da integração sensorial é praticada. Um novo equipamento suspenso é trazido para a sala e pode elucidar uma série completa de experimentos que testam as possibilidades da interação entre a criança e o brinquedo. Uma criança portadora de uma disfunção de integração sensorial, no entanto, pode apresentar falhas na percepção básica do corpo e na consciência das propriedades do objeto que são vitais para iniciar o processo de ideação.



A experiência da terapia é projetada para ajudar a criança a ser capaz de iniciar idéias e planos. Apesar do princípio da integração sensorial ser que a atividade é mais significativa se for “direcionada pela criança” (Clark et. al, 1989), uma criança que apresenta comprometimentos na ideação pode ser incapaz de direcionar suas ações. Ayres postulou que “se a ideação é limitada, o terapeuta deve ajudar a criança a selecionar uma tarefa simples e ajudar em seu planejamento e execução” (1985). Na maioria dos casos, a escolha de atividades simples o suficiente para a obtenção do sucesso requer mais capacidade e atenção da parte do terapeuta do que pensar em atividades complexas.



É provável que ajudar uma criança a iniciar-se na atividade “correta” promova o início de uma organização, garantindo dessa forma que uma experiência lúdica ocorra. Para que a brincadeira continue se desenvolvendo, a criança precisa passar por essas experiências, reconhecendo novas possibilidades e gerando novas idéias; do contrário, as ações permanecem limitadas e são prováveis de se tornarem fracas e rotineiras.



Apesar da imaginação ser um elemento básico da brincadeira típica, ela desenvolve-se apenas depois da criança dominar um entendimento complexo das propriedades do seu corpo, dos objetos e das pessoas. Grande parte da imaginação provavelmente é relacionada à ideação, ou conceitualização de possibilidades para ação. Algumas crianças têm funções deficientes na integração sensorial, que parecem ameaçadas por temas imaginários. Isso frequentemente ocorre em crianças autistas que parecem, por exemplo, incapazes de lidar com a consideração de, digamos, um escorregador como qualquer outra coisa que não seja um escorregador e certamente nunca irão imaginá-lo como uma ponte levadiça para um castelo. Esta tendência também é vista em algumas crianças com dispraxia severa, que parecem ter a necessidade de lidar com os objetos em termos concretos, com pouco espaço para experimentação ou a ambigüidade. Talvez a terapia para estas crianças precise ser iniciada ajudando-as a sentir-se suficientemente seguras com seu corpo, a fim de experimentarem com o fingimento que ela ou um objeto assume uma função que na realidade não existe. Para as outras crianças, o uso da brincadeira imaginária na terapia pode ser um motivador importante para experimentar movimentos incomuns ou difíceis, para interpretar uma história. Parham (1992) nota que as figuras super-humanas são sempre apelativas para as crianças pequenas “O tema super-humano pode ser especialmente saliente para as crianças com problemas na integração sensorial e que experimentam sentimentos de impotência diariamente”. A brincadeira imaginária sempre ajuda uma criança a dar continuidade a uma atividade difícil e tentar ações cada vez mais desafiadoras. Uma menina pequena com extrema insegurança gravitacional foi uma vez observada utilizando um cenário com pisca-pisca de natal durante toda a sessão de tratamento. Ela estava tão motivada com a idéia de decorar sua casa imaginária, que quase não percebeu a altura que havia escalado ou a superfície precária na qual estava apoiada aos segurar seus acessórios de decoração. Portanto, ajudar uma criança a ser capaz de sentir conforto usando a imaginação e saber como usar o brincar imaginário no tratamento são partes essenciais da abrangência da integração sensorial.



Mesmo os aspectos mais elementares da brincadeira social podem ser difíceis para uma criança portadora de uma disfunção de integração sensorial. Tolerar outra criança pelas redondezas é difícil para uma criança com defesa sensorial, assim como atravessar uma sala sem destruir a construção de blocos de uma outra criança pode ser arriscado para os portadores de dispraxia.
O ambiente da terapia oferece um porto seguro para experimentar novas capacidades sociais sob a supervisão de um terapeuta que pode ajudar a criança a entrar, negociar e afastar-se das interações com parceiros.



Além de promover o brincar por meio da preparação e desempenho nas sessões do tratamento, um terapeuta ocupacional pode facilitar a brincadeira no componente acompanhamento. A inclusão da família no processo terapêutico é uma forma muito importante de atingir este objetivo. Quanto mais os membros da família entendem as dificuldades que a criança está tendo e os tipos de atividades que lhe são proveitosos, tornam-se mais equipados para ajudar a criança em outros ambientes.

Fonte: Parhan & Fazio; A Recreação na Terapia Ocupacional Pediátrica.

22 de jul de 2009

É brincando que se aprende ...


No meu tempo parte da alegria de brincar estava na alegria de construir o brinquedo. Fiz caminhõezinhos, carros de rolemã, caleidoscópios, periscópios, aviões, canhões de bambu, corrupios, arcos e flechas, cataventos, instrumentos musicais, um telégrafo, telefones, um projetor de cinema com caixa de sapato e lente feita com lâmpada cheia d’água, pernas de pau, balanços, gangorras, matracas de caixas de fósforo, papagaios, artefatos detonadores de cabeças de pau de fósforo, estilingues.


Fazendo estilingues desenvolvi as virtudes necessárias à pesquisa: só se conseguia uma forquilha perfeita de jaboticabeira depois de longa pesquisa. Pesquisava forquilhas - as mesmas que inspiraram Salvador Dali - exercendo minhas funções de ´controle de qualidade´ - arte que alguns anunciam como nova mas que existiu desde a criação do mundo: Deus ia fazendo, testando e dizendo, alegre, que tinha ficado muito bom. Eu ia comparando a infinidade de ganchos que se encontravam nas jaboticabeiras com o gancho ideal, perfeito, simétrico, que existia em minha cabeça. Pois ´controle de qualidade´ é isso: comparar o ´produto´ real com o modelo ideal. As crianças já nascem sabendo o essencial. Na escola, esquecem.


Os grandes, morrendo de inveja mas sem coragem para brincar, brincavam fazendo brinquedos. As mães faziam bonecas de pano, arte maravilhosa hoje só cultivada por poucas artistas. As mães modernas são de outro tipo, sempre muito ocupadas, correndo prá lá e prá cá, motoristas, levando as crianças para aula de balê, aula de judô, aula de inglês, aula de equitação, aula de computação - não lhes sobra tempo para fazer brinquedos para os filhos. ( Será que as crianças de hoje sabem que os brinquedos podem ser fabricados por eles?). Hoje, quando a menina quer boneca, a mãe não faz a boneca: compra uma boneca pronta que faz xixi, engatinha, chora, fala quando a gente aperta um botão, e é logo esquecida no armário dos brinquedos. Pobres brinquedos prontos! Vindo já prontos, eles nos roubam a alegria de fazê-los. Brinquedo que se faz é arte, tem a cara da gente. Brinquedo pronto não tem a cara de ninguém. São todos iguais. Só servem para o tráfico de inveja que move pais e filhos, como esse tal ´bichinho virtual...´


Fiquei com vontade de fazer um sinuquinha. Naquele tempo não havia para se comprar. Mesmo que houvesse não adiantava: a gente era pobre. Como tudo o que vale a pena nesse mundo, a fabricação começava com um ato intelectual: pensamento: quem deseja pensa. O pensamento nasce no desejo. Era preciso, antes de construir o sinuquinha de verdade, construir o sinuquinha de mentira, na cabeça. Essa é a função da imaginação. Antes de Piaget eu já sabia os essenciais do construtivismo: meu conhecimento começava com uma construção mental do objeto. Diga-se, de passagem, que o homem vem praticando o construtivismo desde o período da pedra lascada. Piaget não descobriu nada: ele só descreveu aquilo que os homens ( e mesmo alguns animais ) sempre souberam.


Era preciso uma táboa larga e plana, flanela, madeiras e borracha de pneu de bicicleta para as tabelas; as caçapas seriam feitas de meias velhas. As bolas, de gude. Os tacos, cabos de vassoura. Preparei-me para fabricar o objeto dos meus sonhos. Meu pai, que era viajante, estava em casa naquele fim de semana. Ofereceu-se para me ajudar, contra a minha vontade. Valendo-se de sua autoridade, tomou a iniciativa. Pegou do serrote e pôs-se a serrar os cantos da tábua, no lugar das caçapas. Meu pai operou com uma lógica simples: se um buraquinho pequeno, que mal dá para passar uma bolinha, dá um ´x´ de prazer a uma criança, um buraco dez vezes maior dará à criança dez vezes mais prazer. E assim pôs-se a serrar buracos enormes nos ângulos da tábua. Eu protestava, desesperado: ´ - Pai, não faz isso não!´ Inutilmente. Confiante no seu saber ele levou a sua lógica até as últimas consequências. Fez o sinuquinha. Só que nunca joguei uma única partida com os meus amigos. Por uma simples razão: quem começava o jogo encaçapava todas as bolinhas. Com buracos daquele tamanho, não tinha graça. Era fácil demais. A facilidade destruiu a alegria do brinquedo. A alegria de um brinquedo está, precisamente, na sua dificuldade, isto é, no desafio que ele apresenta.


Deliciei-me com uma estoria do ´Pato Donald´. O professor Pardal, cientista, resolveu dar como presente de aniversário ao Huguinho, Zezinho e Luizinho, brinquedos perfeitos. Fabricou uma pipa que voava sempre, mesmo sem vento. Um pião que rodava sempre, mesmo que fosse lançado do jeito errado. E um taco de beisebol que sempre acertava na bola, mesmo que o jogador não estivesse olhando para ela. Mas a alegria foi de curta duração. Que graça há em se empinar uma pipa, se não existe a luta com o vento? Que graça há em fazer rodar um pião se qualquer pessoa, mesmo uma que nunca tenha visto um pião, o faz rodar? Que graça há em ter um taco que joga sozinho? Os brinquedos perfeitos foram logo para o monte lixo e os meninos voltaram aos desafios e alegrias dos brinquedos antigos.


Todo brinquedo bom apresenta um desafio. A gente olha para ele e ele nos convida para medir forças. Aconteceu comigo, faz pouco tempo: abri uma gaveta e um pião que estava lá, largado, fazia tempo, me desafiou: ´ - Veja se você pode comigo!´ Foi o início de um longo processo de medição de forças, no qual fui derrotado muitas vezes. É preciso que haja a possibilidade de ser derrotado pelo brinquedo para que haja desafio e alegria. A alegria vem quando a gente ganha. No brinquedo a gente exercita o que Nietzsche denominou ´vontade de poder´.


Brinquedo é qualquer desafio que a gente aceita pelo simples prazer do desafio - sem nenhuma utilidade. São muitos os desafios. Alguns são desafios que tem a ver com a habilidade e a força física: salto com vara, encaçapar a bola de sinuca; enfiar o pino do bilboquê no buraco da bola de madeira. Outros tem a ver com nossa capacidade para resolver problemas lógicos, como o xadrez, a dama, a quina. Já os quebra-cabeças são desafios à nossa paciência e à nossa capacidade de reconhecer padrões.


É brincando que a gente se educa e aprende. Cada professor deve ser um ´magister ludi´¸ como no livro do Hermann Hesse. Alguns, ao ouvir isso, me acusam de querer tornar a educação uma coisa fácil. Essas são pessoas que nunca brincaram e não sabem o que é o brinquedo. Quem brinca sabe que a alegria se encontra precisamente no desafio e na dificuldade. Letras, palavras, números, formas, bichos, plantas, objetos (ah! o fascínio dos objetos!), estrelas, rios, mares, máquinas, ferramentas, comidas, músicas - todos são desafios que olham para nós e nos dizem: ´Veja se você pode comigo!´ Professor bom não é aquele que dá uma aula perfeita, explicando a matéria. Professor bom é aquele que transforma a matéria em brinquedo e seduz o aluno a brincar. Depois de seduzido o aluno, não há quem o segure.


Professor bom não é aquele que dá uma aula perfeita, explicando a matéria. Professor bom é aquele que transforma a matéria em brinquedo e seduz o aluno a brincar. Depois de seduzido o aluno, não há quem o segure.

RUBEM ALVES

5 de jul de 2009

SINAIS DE ALERTA E SOLUÇÕES PARA O DESENVOLVIMENTO DE SEU FILHO

Nós devemos prestar atenção ao desenvolvimento sensório-motor dos nossos filhos, especialmente porque podemos ajudá-los a ter mais qualidade de vida. Não importa se seu filho tenha um ano ou cinco (ou até mais), nunca é tarde para encorajar seu desenvolvimento e consequentemente sua auto-estima – mas exige que se fique de olho a qualquer possível sinal de alerta que possa aparecer. Ao lidar com ele desde cedo, você pode remediar muitos desses problemas potenciais.


A seguir estão alguns sinais de alerta que podem ser percebidos:

Ele não quer ajudar na maioria das atividades do dia-a-dia (vestir-se, comer com talher, lavar as mãos, etc). Para estimular que ele se vista, tente você mesma vesti-lo quase totalmente – mas deixe-o fazer o último passo. Quando o último passo for dominado, passe a deixar mais da responsabilidade para ele. Ele também pode estar mais interessado em tentar colocar as roupas dos pais ou fantasias do que as próprias roupas.
Para estimular o uso do talher, tente usar um menor r mais largo. Esse tamanho de talher pode ser mais fácil para a criança manipular do que o de adultos. Faça seu filho lavar os brinquedos para estimulá-lo a lavar as mãos.

Ele não imita. Tente estimular seu filho a participar com você das atividades que realiza no dia-a-dia – faça disso uma brincadeira.

A fala dele não está melhorando espontaneamente. Fomente a fala começando a frase com o sei filho: “O João quer ...” ou “O João diz: ‘Eu quero ...”. Isso deve ajudar a provocar a resposta dele.

A habilidade na coordenação motora grossa e fina parece não estar aumentando. Ess é um sinal de alerta que traz consigo um peso grande. Se seu filho permanecer em um patamar por muito tempo, consulte um profissional. A avaliação e a intervenção terapêutica podem ser justificadas.

Ele não compreende ordens. Primeiro tente fazer contato visual com seu filho. Fale devagar e tente usar só três ou quatro palavras por vez: “Paulo, venha aqui” ou “guarde seus brinquedos” em vez de “Paulo, quero que venha até aqui para brincar, querido” ou “quero que você consiga recolher seus brinquedos e guardá-los em cinco minutos”.

Seus movimentos são hesitantes, e não fluidos e tranquilos. Tente não forçar atividades que possam ser assustadoras para o seu filho. Ofereça ajuda ou faça a atividade com ele – por exemplo, coloque-o sentado no seu colo enquanto você tenta encaixar os blocos.

Ele não gosta de playground ou tem medo. Não quer subir em nenhum brinquedo, balançar ou escorregar. Tente andar no playground em períodos mais tranqüilos, com poucas pessoas. Tente subir no brinquedo ou escorregar com ele. Seja positiva; tente não focalizar o que seu filho não consegue fazer, e sim o que consegue.

Ele cai com freqüência. Pode haver muitas razões para uma criança cair ou tropeçar muito. É importante investigar mais.

Ele corre de maneira esquisita. Muitas crianças pequenas, inexperientes, tem um jeito engraçado de correr. Os padrões de corrida geralmente melhoram com a maturação. Aos cinco anos, a criança deve ter um estilo coordenado de correr.

Ele fica facilmente superestimulado. Exitem diversas maneiras de acalmar uma criança. Tente manter poucas coisas no ambiente e com pouco ruído – não deixe a TV e o computador ligados enquanto conversa com ele. Manter uma rotinas, também pode ajudar a criança a se organizar.
Ele tende a reagir excessivamente a situações que não costumas incomodar outras crianças, como levar um esbarrão ou um encontrão. Algumas crianças não gostam de lugares barulhentos ou lotados – como festas de aniversários ou ginásios. Se seu filho tem dificuldades em situações parecidas, tente apoiá-lo. Não force. Leve-o aos poucos a esses lugares para que ele possa se acostumar.

Ele evita texturas diferentes – bichos de pelúcia, diversos alimentos, trabalhos artísticos que fazem sujeira. Novamente, tente introduzir novas texturas aos poucos para dessensibilizá-lo.

Ele frequentemente parece desatento, e sua habilidade de linguagem não está melhorando. Se uma pessoa de fora da família tem dificuldade em entender seu filho ou se ele não consegue comunicar o que quer ou precisa, deve-se fazer um exame de audição e consultar um fonoaudiólogo.

Ele não acompanha visualmente os objetos. Os olhos não se movem independentemente dos movimentos da cabeça. Seu filho deve estabilizar a cabeça e usar os olhos independentemente. Uma atividade para promover essa capacidade é erguer uma bola (no nível do queixo) e fazê-lo bater nela. Isso também promove a coordenação viso-motora. Outra atividade é fazê-lo seguir uma luz (de uma lanterna) na parede sem mover a cabeça, só com os olhos.

Ele não consegue colocar as figuras geométricas nos buracos correspondentes. Brincar com quebra-cabeças e blocos ajuda a desenvolver a habilidade viso-motora necessária.

Ele não consegue rasgar papel.
• Derruba as coisas com freqüência.
• Não progrediu nos rabiscos e tem dificuldade em usar a pegada correta para segurar o giz de cera ou o lápis.
Se seu filho tem dificuldade com alguma dessas atividades, ele pode ter uma fraqueza subjacente. Uma avaliação pode ser necessária. Entretanto, alguns jogos para fortalecer as mãos – como virar moedas, brincar com massinhas e usar pinças para pegar objetos – podem ser úteis.

Ele evita realizar mais etapas do desenvolvimento motor grosso, como saltar ou pular degraus. As atividades que melhoram o equilíbrio podem ser úteis para encorajar a criança a conquistar essas etapas. Essas atividades incluem balançar, usar brinquedos como o triciclo, sentar em uma bola grande com apoio e balançar sentado em uma bola menor, para citar algumas. Seu filho também pode precisar que você segure para “praticar” essas atividades. Tente incorporá-las em jogos ou músicas, como “O mestre mandou ...”.

Ele não brinca sozinho. Se esse for o caso, ele pode precisar que um adulto o ajude a organizar uma atividade ou a começá-la – determinar ou iniciar a atividade pode ser difícil para ele.

E LEMBRE-SE SEMPRE ...

Não compare seu filho com o filho de ninguém – cada criança tem sua própria personalidade e conjunto de habilidades. Concentre-se no que seu filho pode fazer, não no que você gostaria que ele fizesse.
• Fale positivamente com seu filho e trabalhe com ele para aumentar sua confiança.


FONTE: Coordenação Motora – Liddle, Tara e Yorke, Laura.

1 de jul de 2009

As Histórias Infantis e o Faz-de-Conta no Mundo das Crianças


HISTÓRIAS INFANTIS E O DESENVOLVIMENTO INFANTIL

O contar uma história depende de vários fatores. É necessário, que se faça uma seleção de histórias de acordo com as etapas de desenvolvimento infantil, as condições sócio-econômicas e culturais, o graus de interesse e ambiente onde será realizada. É importante também considerar, o estilo e o gosto do narrador; entender e compreender a história para poder transmiti-la.
O interesse predominante em cada tipo de história, muda conforme a etapa do desenvolvimento da criança. Até três anos, a criança através dos contatos afetivos e pelo tato, passa a reconhecer a realidade que a rodeia. Destaca-se a conquista da própria linguagem, nomeando o que está a sua volta. Utiliza-se então, histórias de bichinhos, brinquedos, objetos, seres da natureza. É nessa fase que a criança começa a se relacionar com o espaço onde vive.
A partir dos dois/três anos, à descoberta do mundo concreto e da linguagem, se dá através de brincadeiras. As histórias são “carregadas” de imagem (desenho, gravuras, etc), e estas sugerem uma situação, significativa para a criança. As gravuras de traços simples, de fácil visualização tornam-se muito atraentes e interessantes à criança, assim como as histórias de repetição, com graça e humor também são atraentes para a criança dessa faixa etária.
Com seis/sete anos, a criança dá início a um processo de socialização e de racionalização da realidade. A imagem ainda predomina o texto, sendo a narrativa simples onde se desenvolve a situação. Os personagens são reais ou simbólicos, porém com caráter ou comportamento bem nítido (bom/mal, forte/fraco), destacando-se histórias de crianças, animais, encantamento (de fadas) e do cotidiano (família, comunidade).
Com oito/nove anos, a criança apresenta-se com um pensamento lógico organizado. As histórias giram em torno de uma situação central. O real e o imaginário despertam interesse, sendo mais comum as histórias de fadas mais elaboradas, histórias humorísticas e vinculadas à realidade.
Com dez/onze anos, a criança passa a compreender o mundo expresso nos livros, as histórias apóiam-se em reflexões. Os personagens que se destacam, são heróis. Encontramos histórias de aventuras, explorações, invenções, lendas, mitos e fábulas.
A história, além de proporcionar as crianças um momento de brincadeira, segundo Abramovich:

“É também suscitar o imaginário, é ter a curiosidade respondida em relação a tantas perguntas, é encontrar idéias para solucionar questões (como as personagens fizeram...). É uma possibilidade de descobrir o mundo imenso de conflitos, dos impasses, das soluções que todos vivemos e atravessamos – dum jeito ou de outro – através dos problemas que vão sendo defrontados, enfrentados (ou não), resolvidos (ou não) pelas personagens da cada história (cada um a seu modo) ... É a cada vez ir se identificando com outra personagem (cada qual no momento que corresponde àquele que está sendo vivido pela criança) ... e, assim, esclarecer melhor as próprias dificuldades ou encontrar um caminho para a resolução delas ...”

A história tem esse papel fundamental, na vida da criança; é um meio, um momento para a criança SENTIR e DESCOBRIR.

Quem não se lembra de uma história, que ouviu na infância, e que não encontrou em nenhum livro ?
As crianças encontram hoje, um mundo de imagens (desenhos, filmes, internet, etc), que proporcionam um outro tipo de linguagem e significado, diferente do encontrado nos livros. Estas imagens, que são muito distintas do livro (literatura infantil), também proporcionam à criança um meio para a brincadeira do faz de conta. Encontramos também, histórias infantis, que são criadas (por um adulto ou criança), a partir do momento em que conta a história; estas guardam em si, um momento único, onde a criança desfruta e se percebe.
O fato da história der inventada a partir do momento em que se conta, proporciona a criança, uma viagem sem limites, pois a criança não ficará restrita ao mundo da gravura/figuras. Estas histórias fazem com que a criança, crie e descubra um lugar, um personagem seu, que o mundo das imagens (incluindo os livros com gravuras) não saberia reproduzir.
É importante salientar, que as histórias infantis, seja ela contada por um adulto, uma criança, com o uso de imagens ou não, proporcionam a criança, o despertar de um sentimento mágico e o descobrir um mundo de conflitos e prazer.

O FAZ-DE-CONTA

Até pouco tempo atrás, acreditava-se que a criança quando brincava no seu mundo de faz-de-conta, estaria fora da realidade, fantasiando simplesmente.
Hoje, sabemos que isso não ocorre. A criança ao brincar de faz-de-conta, aprende a lidar com situações que o mundo lhe apresenta, formando sua personalidade. Esta fase no desenvolvimento da criança é de fundamental importância.

“... por meio das brincadeiras, as crianças se constituem como indivíduos, commum tipo de organização e funcionamento psicológicos próprios, utilizando certos meios comportamentais extraídos de seu registro de competências, em cada período da vida, e das aquisições e modificações que sua microcultura impõe.”

A criança, através da fantasia, do faz-de-conta, compartilha e constrói significado a partir do mundo que a rodeia, do seu cotidiano.
A brincadeira de faz-de-conta manifesta-se quando a criança transforma um objeto qualquer em sua brincadeira, dando-lhe uma função que não corresponde com a função real do objeto. Por exemplo, uma peça de encaixe em um telefone. Ou quando a criança transforma, pequenos espaços físicos, caracterizados por um objeto principal, de acordo com a atividade que está desenvolvendo. Por exemplo, um colchão, delimita o espaço de uma casa. A criança representa (geralmente do seu cotidiano) e recria um pequeno “texto”, com regras para as demais crianças.
Durante a brincadeira, a criança vai contando e interpretando o que vai acontecer na história, no faz-de-conta, quando a criança representa animais, com o uso do próprio corpo ou anima, objetos inanimados como por exemplo, conversas com as bonecas ou bichinhos de pelúcia, onde a criança recria situações.
Para estas transformações, a criança utiliza-se principalmente dos sentidos. O gesto (ao manusear objetos), a postura (ao imitar um bicho), o som (o barulho de um carro), palavras (que direciona a ação da criança) e frases (que dão significados ao ambiente e ao objeto).
Através destes recursos, a criança transforma o espaço real em brincadeira, de acordo com a experiência vivida ou observada, construindo um significado para aquele momento.

“As crianças usam os recursos do próprio corpo (gestos, posturas, vocalizações), associados aos recursos do ambiente (sucata, brinquedos, recantos) e trazem para o contexto da brincadeira: personagens e animais não presentes no ambiente; situações/atividades já experenciadas e por elas ou por outras pessoas do seu meio. Elas criam elos entre objetos e situações, entre expressões do próprio corpo (mímicas, vocalizações) e personagens e/ou situações já vividas ou apenas observadas por elas”.

Os recursos que a criança utiliza podem se apoiar em objetos similares ao real ou não. Observamos a partir daí, que o significado atribuído ao objeto ou a situação, são compartilhados e construídos entre as crianças, para que a brincadeira aconteça.
Diante disso, observamos que o faz-de-conta, encontra-se presente no dia-a-dia da criança, fazendo parte do seu desenvolvimento.
Segundo Michelman, o brincar é essencial na infância, capacitando-a para adquirir uma identidade própria, se descobrir e conhecer o meio que ao rodeia. Utiliza-se do termo “brinquedo criativo”. Esta abordagem, “é a expressão artística criativa que é uma forma universal de simbolização. A arte é também um campo seguro para o desabilitado (sic) praticar resolução de problema, ensaio e erro, e decisões. O comportamento criativo pode ser considerado como uma expressão saudável do eu e uma força que gera flexibilidade, improvisação e coragem para arriscar. Fortifica a capacidade da criança de competir mais apropriadamente e viver de modo mais confortável com a mudança e com o eu”.
Mas o que é brinquedo criativo ? O brinquedo criativo permite a reflexão e exploração através de materiais, objetos, idéias e sentimento. Assim, a criança lida com o significado e objetivo, procurando representar ou satisfazer seus desejos, engajando-se no processo criativo. Vemos então, que o brinquedo criativo explora, experimenta e transforma; a criança então, se descobre.
No faz-de-conta, a criança aprende a manipular símbolos, que estão presentes na sua realidade. O brinquedo do faz-de-conta é precursor da criatividade. Assim, a criança percebe o mundo em que vive, reagindo ao que vê e sente, através da expressão criativa.

AS HISTÓRIAS INFANTIS E O FAZ-DE-CONTA

Convém lembrar, que as histórias infantis tem um papel importante na vida de uma criança, assim como o faz-de-conta. Diante disso, vemos que ambos favorecem para que a criança lide com situações que lhe são apresentadas.
A criança assim que começa a ouvir uma história, acaba se identificando com um lugar, um personagem e passa a criar um mundo de faz-de-conta. Diante disso, a criança passa a estar com o brinquedo criativo, se transportando para este novo mundo, do faz-de-conta, que na verdade, tem muito em comum com o seu mundo de experiências e observações.
Porém, não é somente através de histórias que a criança brinca do faz-de-conta. A brincadeira do faz-de-conta, geralmente cria uma história que é contada pela criança através do brincar, e esta apresenta a mesma característica do brinquedo criativo.
A história e o faz-de-conta possibilitarão à criança representar através do pensamento simbólico, a desenvolver a habilidade de lidar com o mundo, auxiliando-a em seus conflitos, sentimento e idéias.

Fonte: Goldstein, Ariela. “Uma caixa de histórias”. PUC-Campinas, 2001

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