20 de mai de 2010

Seis princípios básicos para a aplicação pratica da integração sensorial

1. Os estímulos sensoriais controlados podem ser usados para eliciar uma resposta adaptativa



Ayres define uma resposta adaptativa como “uma ação apropriada na qual o indivíduo responde com sucesso a alguma demanda ambiental“. Por exemplo, quando uma criança balança num cavalinho de pau constitui uma resposta adaptativa para uma criança que está aprendendo a andar. Respostas adaptativas exigem que a criança experimente um tipo e uma quantidade de estimulação sensorial que desafia mas não sobrecarrega o sistema nervoso central, a manifestação de uma resposta adaptativa é potencializada.



2. Uma resposta adaptativa contribui para o desenvolvimento da integração sensorial



Cada vez que a criança se superar com sucesso um desafio do ambiente, a capacidade de organizar o estímulo sensorial para responder à demanda ambiental se aprimora. Ayres acredita que a atividade motora seja um potente organizador de estímulos sensoriais. Quando respostas adaptativas são emitidas, o sistema nervoso usa o conhecimento dos resultados de ações anteriores para guiar a orientação de informações sensoriais para utilização futura.



3. Quanto mais auto dirigida às atividades da criança, maior é o potencial das atividades para aprimorar a organização neural



Este princípio afirma que crianças possuem uma força motivacional inata no sentido da integração sensorial, chamada por Ayres de “motivação interna”. A criança é naturalmente atraída para atividades que exigem e trazem organização cerebral dos estímulos sensoriais. Por exemplo, pode-se supor que uma criança de 18 meses cujo sistema nervoso deve estar sobrecarregado por estímulos vestibulares causados pelo balanço poderia se afastar desse atividade. Por outro lado, possivelmente devido à crescente capacidade de organizar sensações desse tipo, crianças de 3 e 4 anos buscarão essas atividades que envolvam o balançar. Terapias que utilizam essa motivação interna exploram a inerente capacidade da criança de buscar atividades que proporcionem organização cerebral.



4. Padrões mais amadurecidos e complexos de comportamento são compostos pela consolidação de comportamentos mais primitivos



Ayres acredita que as crianças fundem funções aprendidas previamente para a criação de respostas adaptativas mais maduras. A emissão de respostas adaptativas cada vez mais maduras é um produto da prática de cada elemento sensorial e motor. Subjacentes às modificações na complexidade do comportamento, estão os avanços paralelos da organização neural. À medida em que o processamento do tronco encefálico de estímulos sensoriais se torna mais eficiente, funções corticais mais elevadas são liberadas para se desenvolver mais completamente.



5. A melhor organização de respostas adaptativas intensificara a organização do comportamento geral da criança



Enquanto algumas respostas adaptativas são simples atos isolados, outras requerem mais sequenciamento e coordenação temporal das atividades motoras. A criança deve calcular, como coordenar e temporizar um conjunto de respostas motoras para atingir um objetivo. Em essência, a criança deve programar sua ação. Ayres deduz que o engajamento nesse processo pode intensificar a capacidade de planejamento geral da criança. Por exemplo, um aprimoramento dessa capacidade pode tornar alguém mais apto na organização da rotina diária usual de atividades ou das etapas exigidas para a realização de uma tarefa escolar.



6. É necessário o registro dos estímulos sensoriais significativos antes da resposta poder ser dada



Durante um dia, os indivíduos percebem alguns, mas não todos estímulos do ambiente. Os estímulos que são percebidos influenciam as respostas motoras que são dadas. Se a criança está desatenta à maioria dos estímulos do ambiente, seu repertório de respostas adaptativas será limitado, e seu potencial para o desenvolvimento de comportamentos mais complexos será também frustrado. Por outro lado, algumas crianças parecem registrar estímulos sensoriais excessivos. Essas crianças podem estar bombardeadas por estímulos de tal grau, que tenham dificuldade de extrair o significado das sensações ou focalizar em alguma tarefa dirigida a um objetivo. (Carvalho,1996).



Autores: GUERREIRO, A., MAIÃO, E.C.R.G.