16 de jan de 2012

Por que nos prendemos as velhas perspectivas ?

Paulo Freire ressaltava que educar não é aplicar conteúdos na cabeça das crianças, assim como se faz depósitos em contas bancárias.


È preciso superar a ideia de que o professor é o detentor dos saberes contidos em matérias fechadas e pré-determinadas, e o aluno, o dono de uma cabeça vazia, oca, que acomoda tudo dentro dela.


Depois de Piaget, Vygotsky e outros, aprendemos que o conhecimento se forma depois de um processo longo de trocas, assimilações, adaptações e elaborações, influenciado por todos os aspectos humanos do entorno -- ambiente, cultura, condições materiais, emocional, interação social (ver Goleman).


Queremos que nossas crianças aprendam, mas muito mais, queremos que formem habilidades de cidadania, senso crítico e do sentido de ética e estética. Eu ainda nao entendo por que, após nos depararmos com o TEA (transtorno do espectro autista), se faz uma previsão de que essas crianças são incapazes ou são possuidoras de deficiência mental debilitante, que as mantem tão impossibilitadas de aprender!Temos que rever essa previsão teórica urgente!


Por que os índices e as teorias que demoram a chegar até nós, já chegam ultrapassados, simplesmente porque precisamos evoluir nosso pensar, sair do tecnicismo e das velhas medições, além de dar saltos com nossas crianças, mediando a vida e o conhecimento, inter-relacionando e motivando-as cada vez mais! Prevendo que existem possibilidades ilimitadas como qualquer criança (típica ou atípica).


A nossa sociedade é não linear, não somente o espectro do autismo.


Não adianta sentar uma criança achando que ela é tábula rasa para aprender o que nós queremos ou julgamos que é o ideal que ela aprenda. Isso não funciona nem para típicos.
Toda mente humana pressupõe desafiar, instigar, provar conhecimentos, testar, emocionar. Nós só aprendemos se a coisa for muito interessante, desafiadora, inusitada, motivada e divertida. Por isso a Educação tem de se reinventar para superar seu fracasso, para todos.


Porque pressupomos que com nossas crianças, no espectro autista, é diferente? Não é!
Se a Educação for de qualidade, diferenciada, não engessada, usando recursos diversos, ela vai atingir as crianças, sejam diferentes ou iguais.


Me causa profunda indignação tratar nossas crianças com desprezo, com pré-julgamentos limitadores, enquadrando o pensamento humano ilimitado, emocional e complexo, num simples classificar de comportamentos. Comportamento é comunicação. Então devemos nos perguntar o que esta criança quer nos dizer com seu comportamento atípico? Seu sensorial está sobrecarregado? Seu metabolismo não ajuda?


O pensamento do autista pode tender ao concreto, mas não é engessado nele, ao contrário, possui nuances das mais criativas, engenhosas e imaginativas.

Quem disse o contrário?
O que ocorre é que muitas vezes eles ainda estando sobrecarregados sensorialmente -- sem filtros sensoriais -- nos comunicam isso sob a demanda de que eles precisam assumir o controle das situações. Como se eles, estando no controle, conseguissem controlar suas entradas/filtros -- e nos sinalizam isso, seja verbalmente ou não.

Fomos programados para nos conectar com outros seres humanos e nossos relacionamentos moldam não apenas nossa experiência, mas também nossa biologia.


Não podemos ignorar a neurociência social, porque nossas interações sociais ajudam a moldar o cérebro, por meio da neuroplasticidade e vão "esculpindo" sutilmente -- porém poderosamente -- o cérebro, através dos relacionamentos. E de forma duradoura.


Somos contagiados pelos sentimentos das outras pessoas.
O ruído sensorial desregulado também muda a intensidade perceptual e emocional das nossas crianças -- nao podemos ignorar isso,temos que trabalhar esses aspectos emocionais continuamente. Mas temos que visar conexões. A conexão fortalece os elos entre as pessoas, traz sincronia que gera equivalência emocional. Temos que aproveitar bem isso, porque o contágio emocional é como uma via trafegável, onde se disseminam emoções, ansiedades e medos, rapidamente.


A boa noticia é que a menor distância entre dois cérebros ainda é o riso, porque ele desenvolve elos imediatos.


De Elaine Marabita

Fonte: Revista Autismo

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