1 de nov de 2012

Integração Sensorial




O significado da Ayres Sensory Integration®




Para alguns pais o momento em que percebem que o comportamento descontrolado ou insatisfatório exibido pelos seus filhos pode indicar um problema mais profundo é angustiante.
Se eles forem sortudos, alguém na sua comunidade – um familiar, um professor, um amigo, ou um profissional de saúde – tem conhecimento suficiente para recomendar que a criança seja testada para disfunção de integração sensorial.
De outro modo, talvez através da sua própria pesquisa em livros ou na internet eles possam ter uma ideia das dificuldades subjacentes à sua criança.
Num mundo ideal, o que decorreria posteriormente não seria confuso. Os pais seriam capazes de localizar um terapeuta treinado para testar e providenciar terapia adequada a esta disfunção como definido pela investigadora que criou a avaliação e intervenção para estas desordens escondidas à 40 anos atrás, a Dr.ª A. Jean Ayres. Nos anos 60, a Dr.ª Ayres investigou sistematicamente a natureza da forma do cérebro processar a informação sensorial de forma a usá-la para aprendizagem, para as emoções e comportamento, e criou a Teoria de Integração Sensorial como é actualmente usada na prática da Terapia Ocupacional e aplicada em pediatria e em educação na infância.
Infelizmente, devido às leis de direitos autorais nos EUA, o termo “integração sensorial” é considerado domínio público. Isto significa que quase todos podem oferecer quase qualquer forma de terapia e chamá-la de “integração sensorial”. Enquanto algumas destas outras formas de terapia de integração sensorial podem ser válidas, outras não o são, ou não possuem a rigorosa investigação necessária para suportar essa reivindicação.
Por esta razão, a Dr.ª Ayres e o seu marido criaram um Fundo que foi aplicado com vista a proteger a prática da integração sensorial e integridade de uma definição específica, procedendo ao registo da sua marca – a Ayres Sensory Integration®.
Para ajudar os pais a localizar terapeutas treinados para testar e providenciar serviços terapêuticos baseados na teoria da Dr.ª Ayres, é útil perceber como esta é definida. Assim, os pais saberão como pedir potenciais terapeutas.



A Marca Registada Ayres Sensory Integration®

A marca registada Ayres Sensory integration® engloba:
            ® A teoria da Dr.ª Ayres,
            ® A avaliação da disfunção de integração sensorial, padrões de integração sensorial e disfunção da praxis (o processo de ter uma ideia, iniciar e completar novas tarefas motoras) e,
            ® Conceitos de intervenção, princípios e técnicas como são aplicados por terapeutas treinados nesta abordagem em todo o mundo.

Teoria de Integração Sensorial

A Teoria de Integração Sensorial baseada no trabalho de Ayres propõe que a integração sensorial é um processo em que o cérebro organiza a sensação do nosso próprio corpo e do ambiente e torna possível usar o corpo de forma eficaz no ambiente. O cérebro interpreta, associa e unifica todas estas sensações, sabendo o que fazer com elas (p.ex., “descer abaixo de um passeio”) bem como saber como fazê-lo (i.e., mover uma perna para a frente para dar um passo para baixo”). Também inclui saber como organizar isto tudo para aquilo a que Ayres chamou “actividade com propósito” (i.e., “para atravessar a rua é preciso primeiro um passo em frente para descer o passeio”).
Um défice na capacidade de um individuo em envolver-se eficazmente nesta transacção em períodos críticos interfere com um óptimo desenvolvimento cerebral e consequente capacidade geral. Identificar as áreas em défice numa pessoa jovem e dar-lhes respostas terapêuticas adequadas pode aumentar as oportunidades individuais para um desenvolvimento normal.

Avaliar a Disfunção de Integração Sensorial

Ayres desenvolveu 17 testes estandardizados e muitas observações que contribuíram para a identificação e compreensão dos múltiplos padrões de integração sensorial. Hoje eles são chamados de Sensory Integration Praxis Tests (SIPT).
Padrões de integração sensorial incluem contribuições sensoriais para descoordenação motora, atrasos na motricidade grossa e fina, défices de equilíbrio, pobre praxis, bem como respostas invulgares à sensação (hiperresponsividade, hiporesponsividade e flutuações).
Na prática, a SIPT é considerada o gold-standard para avaliar disfunções de integração sensorial. Está concebida para crianças em idade escolar sem desordens motoras severas ou mentais. Deve ser usada em indivíduos mais velhos. É comummente usada com crianças diagnosticadas com autismo de alto funcionamento ou síndrome de Asperger. Para esses indivíduos para os quais a SIPT não é apropriada, outros métodos e avaliações devem ser usados para obter a informação. Apenas profissionais certificados na SIPT são capazes de administrar o teste e avaliar os resultados.

Intervenção Baseada nos Princípios da Teoria da I. Sensorial

Em 2002, especialistas em terapia ocupacional de vários pontos dos Estados Unidos juntaram-se para identificar e definir os princípios nucleares da intervenção em integração sensorial como usados na prática profissional da terapia ocupacional. Os 12 princípios apresentados de seguida são considerados essenciais para a condução de uma intervenção usando uma abordagem de integração sensorial:
  • ® Profissionais qualificados, terapeuta ocupacional, fisioterapeuta, ou terapeuta da fala;
  • ® Plano de intervenção centrado na família, baseado numa completa avaliação e interpretação dos padrões de disfunção de integração sensorial; colaboração com pessoas significantes na vida do indivíduo; aderência a padrões de ética e prática profissional.
  • ® Ambiente seguro que inclua equipamento capaz de providenciar sensações vestibulares (o sistema vestibular é responsável por manter o equilíbrio, a postura e orientação do corpo no espaço), sensações proprioceptivas (para detecção de movimento e posicionamento do corpo), sensações tácteis e oportunidades para a praxis.
  • ® Actividades ricas em sensações, especialmente aquelas que providenciam sensações vestibulares, tácteis e proprioceptivas, e oportunidades para integrarem essa informação com outras sensações como as visuais e auditivas.
  • ® Actividades que promovam regulação de afecto e nível de alerta e providenciem as bases que visam salientar as oportunidades de aprendizagem.
  • ® Actividades que promovam um óptimo controlo postural, controlo motor oral e controlo óculo motor, incluindo segurar-se contra gravidade e manter controlo enquanto se move pelo espaço.
  • ® Estratégias de intervenção que promovam o “desafio certo”.
  • ® Oportunidade para o cliente produzir respostas adaptativas a diferentes e cada vez mais complexas exigências do ambiente. Destacada na Integração Sensorial de Ayres® está a “resposta adaptativa somato-motora”, o que significa que o indivíduo se adapta com todo o seu corpo, movendo-se e interagindo com coisas e pessoas num espaço tridimensional.
  • ® Motivação intrínseca e vontade de envolver-se em actividade agradáveis, ou por outras palavras, brincar.
  • ® Atmosfera de confiança e respeito originada pelo terapeuta através de interacções incertas com o cliente, i.e., as actividades são negociadas, não são pré-planeadas, cabendo ao terapeuta alterar a tarefa e interagir num ambiente baseado nas respostas do cliente.
  • ® Recompensa intrínseca das actividades e asseguração do sucesso da criança, por parte do terapeuta, em quaisquer actividades tentadas, alterando-as para irem de encontro às necessidades da criança.
A actual aplicação da Integração Sensorial de Ayres® é baseada na evidência de alguns estudos cuidadosamente designados que aderiram aos princípios pretendidos, bem como os dos extensivos relacionados neurobiológicos, psicológicos e pesquisa terapêutica.

O Que é que os Pais Podem Fazer?

A teoria, a avaliação e intervenção na integração sensorial baseada em Ayres não é ambígua! É uma forma de avaliação e de terapia profundamente pesquisada na qual os profissionais são ou não são treinados. A sua tarefa de procurar o terapeuta correcto para a sua criança, enquanto Pai, pode ser facilitada ao fazer o seguinte:
  1. Ler o livro da Dr.ª Ayres, “Sensory Integration and the Child (Western Psychological Services, 2006)”. A explicação da sua teoria espelha a mesma linguagem que a Dr.ª Ayres usava quando reunia com pais de crianças para quem ela providenciava terapia. Está escrito na sua voz cuidada e carinhosa.
  2. Visitar o Sensory Integration Global Network website at www.siglobalnetwork.org. O conteúdo deste site foi escrito e compilado por muitos dos melhores pesquisadores e clínicos daIntegração Sensorial de Ayres®.
  3. Levar uma cópia deste artigo consigo quando for entrevistar um terapeuta. E pedir-lhe que explique como é que a sua prática engloba os 12 “Principios de intervenção baseados na Teoria de Integração Sensorial”. Ao seleccionar o seu terapeuta cuidadosamente, pode apressar o poderoso processo de completar a integração do cérebro da sua criança. Como terapeutas e como pai que experienciou isto, podemos assegurar-lhe que terá melhores dias pela frente.
Autores
Informação concebida a partir de artigo de Zoe Mailloux, MA, OTR/L, FAOTA, Susanne Smith Roley, MS, OTR/L, FAOTA, and Brian W. Erwin, traduzido para a 7senses por Marco Leão