8 de dez de 2012

O poder dos jogos infantis


Existe coisa melhor do que sentar com o seu filho pra brincar? Do que reunir a família e jogar? A hora do jogo é um momento sublime, onde as energias se somam, onde a vivacidade fica aguçada, onde a gente aprende a ganhar e perder, a ver a alegria da criança ao estar ali saboreando a presença dos seus queridos... pra quem já passou por essa fase, se lembra do bem-estar de brincar de fazer castelo de areia na praia? De jogar dominó com o papai? 

Jogar faz bem. Alimenta a alma. Ainda mais nos dias de hoje, com tanta correria, muitas famílias estão perdendo o tempo pra jogar em família. Cada vez mais, vemos jogos solitários, que também são bons, mas não suprem a intimidade e a união que os jogos em família fazem aflorar. Tem sido mais e mais freqüente as queixas de crianças reclamando que os pais têm cada vez mais tempo pra elas, e uma das melhores formas de estar junto, é jogar. Vamos aproveitar e pegar um pouquinho do nosso tempo pra jogar com aqueles que a gente ama. Mas jogar é bom de qualquer jeito com amigos, com a nossa turma e com nossos colegas. Jogar sozinho também é bom. 

O jogo faz nascer potencialidades de dentro da gente, faz surgir idéias novas, inovadoras, faz a gente querer ganhar, descobrir, intuir, ter metas e objetivos e onde querer chegar. E tudo isso é muito bom para desenvolver aquilo que chamamos de funções executivas, que são nossas vontades voluntárias voltadas à realização de um objetivo. Já jogou em dupla? Que legal né? A gente aprende instintivamente a fazer boas parcerias, a saber como é ter um bom parceiro. 

Quem joga, ativa as funções mentais, a performance global de vida, capacidade de se ter um rendimento global maior na vida. É bem verdade que como tudo na vida, tudo tem que ter a sua hora, o seu limite. O jogo também nos ensina a hora de parar. A lidar melhor com os nossos limites. A ficar bem, mesmo quando vemos o nosso parceiro ganhar. Você sabe que daqui a pouco vem a sua vez de ganhar também. O jogo atua no auto-conhecimento. Jogando, você vai notar que você, ou seu filho ou o parceiro do jogo recorrentemente apresenta falta de concentração ou coordenação motora, ou como está o seu estado emocional. Quem nunca jogou com aquele cri-cri que fica enfurecido ou desmantela o jogo quando ele está perdendo? O jogo é uma ferramenta de medição e aferição do nosso estado emocional. É a partezinha que aflora, que todo mundo vê, que nem a pontinha de um grande iceberg... 

Você sabia que já na antiguidade, os Egípcios, Romanos e Maias utilizavam os jogos como meio de aprendizagem de valores, conhecimentos e normas sociais? 
Mas então, porque tanta gente reclama dos jogos, que o filho fica horas jogando pra fugir das obrigações e etc? Até onde o jogar é um benefício ou um prejuízo à saúde dos nossos pequenos? Essa polêmica divide francos opositores e ferrenhos adeptos. Como tudo na vida, antes de qualquer coisa o equilíbrio. Não é dos jogos que a gente reclama, mas sim dos excessos. Excesso de tudo é muito prejudicial mesmo. De todo modo, universais e presentes em todas as culturas, os jogos constituíram desde sempre uma forma de atividade inerente ao ser humano, exercendo sobre ele um fascínio inexplicavelmente compreensível e muito sedutor. Ainda que algumas pessoas considerem o ato de jogar supérfluo, ele torna-se uma necessidade e um elemento vital para o equilíbrio social, cultural e psíquico do ser humano. 

Segundo uma ótica sociológica, os jogos proporcionam elementos importantes à construção da personalidade e conseqüentemente à construção do conhecimento: a familiarização com o êxito, o que desenvolve a autoconfiança e segurança; a libertação de sentimentos de agressividade e frustração, de forma natural, criativa e até terapêutica. Ao jogar, a criança e o adolescente têm acesso a cultura da sua Sociedade, ao mesmo tempo em que a recria, sempre estabelecendo relações sociais com os outros. E mais, o jogo pode trazer à tona questões inconscientes e medos recalcados, facilitando o autoconhecimento das próprias emoções e do mundo interior de cada pessoa. 

Desta forma, é patente que o jogar, de forma espontânea, é um elemento crucial para um processo educativo que tem como foco a autonomia do ser. Em geral, um pouco de jogo vai deixar a criança, o adolescente ou o adulto mais sociável além de melhorar o seu relacionamento interpessoal. É de praxe que suas habilidades visuo-espaciais, resolução de problemas e tarefas, rapidez de pensamento e raciocínio lógico fiquem bem mais afiadas . De igual modo, todas as habilidades atentivas e de concentração também ficam mais aguçadas. 

Os jogos despertam a curiosidade da criança, são sedutores e promovem criatividade e produção de arte. Inúmeros são os atributos do jogo, todos estando de algum modo interligados entre si: representação do real versus o imaginário; manejo de dúvidas e conflitos; resolução de problemas e saber priorizar; habilidades sociais e funções executivas; determinação, perseveração e controle dos impulsos, manejo dos determinismos e aleatoriedade; segurança, confiança e auto-estima; correr risco; analise estratégica e intuição, e muito, muito mais..


Fonte: http://www.minhavida.com.br/bem-estar/materias/5016-o-poder-dos-jogos-infantis#.UMJFW1Firco.facebook (de Evelyn Vinocur - Neuropsiquiatra e psicoterapeuta)

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